Apagão Digital, vício em redes sociais e Crise no Facebook: O que eu tenho a ver com isso?

Nesta última segunda-feira (04/10/21) você provavelmente também foi vítima de um Apagão Digital que tirou do ar 3 das principais plataformas de mídias sociais digitais do mundo: Facebook, WhatsApp e Instagram - ambas filhotes do programador e empresário, Mark Zuckerberg.


O problema aconteceu após "alterações de configuração nos roteadores de backbone que coordenam o tráfego de rede entre nossos data centers causaram problemas que interromperam essa comunicação", de acordo com o vice-presidente de infraestrutura do Facebook, Santosh Janardhan.

Após cerca de 7 horas de transtornos em diversos países do mundo, o problema enfim foi resolvido. Nesse meio tempo, muitas coisas aconteceram:


Sentimos na pele ontem como uma pequena instabilidade nos servidores do Facebook podem causar transtornos profissionais e pessoais. Hoje amanhecemos com diversas matérias pela internet provocando o público sobre os efeitos colaterais da nossa "dependência digital" com as redes do Tio Mark.

Mas com certeza a pauta da vez é sobre a revelação da ex-funcionária do Facebook Frances Haugen, de 37 anos, que trabalhou como Gerente de Produtos na companhia e era responsável por projetos relacionados com eleições. Ela vazou documentos internos da empresa no fim de semana e provocou até a queda das ações do Facebook em quase 5% em um único dia.

Bom, Gian... E o que isso tudo tem a ver? O fato mais que comprovado da influência do mega-monopólio criado pelo Zuckinho! O Facebook é a 2ª maior plataforma de anúncios digitais do planeta - diversas empresas registraram gigantescas quedas de tráfego em seus sites e e-commerce's durante o Apagão Digital desta segunda-feira. O prejuízo foi sentido desde os pequenos até os grandes empresários que investem milhares de reais todo mês nas redes sociais de sucesso da companhia. Juntas, as 3 redes sociais do Markão reunem mais de 3,5 bilhões de usuários em todo o planeta - sendo que a Índia e o Brasil estão no topo da lista de adeptos das plataformas.

É inegável o atual poder das criações e aquisições de Zuckerberg, mas desde a polêmica de 2018 - quando cerca de 50 milhões de usuários do Facebook tiveram suas informações vazadas para a empresa de marketing político Cambridge Analytica por meio de testes de personalidade na rede social e influenciado os resultados das eleições americanas que elegeram Donald Trump - diversas ações e envolvimentos da companhia, de forma anti-ética, vêm afetando negativamente sua imagem e confiança pelo mundo.

Ainda sobre essa polêmica, no mês passado dois processos de acionistas vazados à imprensa revelam acusações de que os executivos do Facebook blindaram Mark Zuckerberg do escândalo da Cambridge Analytica.

Mesmo após todos estes - e outros - episódios negativos envolvendo a companhia, Zuckão continua caminhando em sua empreitada rumo às novas tecnologias, como sua Inteligência Artificial que ensina robôs a andarem em locais desconhecidos e promete até torná-los "domésticos", e seu recente lançamento do Óculos Inteligente que fotografa e grava vídeos, além de atender ligações.

O fato é: o império de Mark fica cada vez maior com investimentos em diversas áreas e promete se intensificar com a chegada do 5G em países como os Estados Unidos e o Brasil. A partir disso temos algumas reflexões a fazer:

As Organizações: precisam entender a importância de investir seu Budget em Marketing com inteligência. Existem diversas plataformas e redes sociais que possibilitam anúncios, algumas inclusive de forma mais direcionada e efetiva, como é o caso do TikTok e do LinkedIn. É importante também se atentarem às formas de comunicação utilizadas interna e externamente. Será que o WhatsApp deve realmente ser a única forma de contato efetivo com meus clientes, fornecedores, parceiros e colaboradores? Será que posso analisar, avaliar e implementar novas formas de comunicação para evitar transtornos como o de ontem? As empresas também precisam estar atentas às inovações a partir do 5G e como seus públicos terão seu comportamento alterado - e direcionado - com as novidades do mercado da tecnologia. E claro, não apostar todas as fichas nas plataformas de Zuckerberg, que provaram possuir uma fragilidade maior que a esperada - de acordo com especialistas.

Eu, mero mortal: preciso entender a extensão da minha dependência das redes sociais - não apenas a do Tio Mark (acabaram os apelidos) - mas de forma geral. Quanto tempo passo todos os dias na frente do celular? Será que essa dependência já não está se tornando um vício? Já não é hora de buscar outros hobbies ou até mesmo ajuda de um profisssional de saúde mental para isso?

A Sociedade: precisamos entender o impacto de grandes corporações que monopolizam mercados, influenciam decisões e possuem total controle sobre os nossos dados - o que gostamos e desgostamos, o que fazemos e não fazemos, o que compramos e não compramos. Será que as condutas anti-éticas do Facebook não afetam diretamente nossa convivência enquanto comunidade? Será que devemos simplesmente ler um artigo como esse e seguir nossa vida normalmente depois, como se o problema de Mark Zuckerberg não fosse nosso problema também?

Ficam as reflexões dessa conturbada semana que nem chegou na metade ainda. Um grande abraço e até breve!

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